terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ao amor antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
no de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige, nem pede. Nada espera,
ms do destino vão nega sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona,
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade

Ps.: Dedicado a quem me mostrou esse poema num lindo dia, num lindo lugar.

sábado, 14 de novembro de 2009

Pés na estrada

Porque agora eu cansei. Hoje dou um basta nisso tudo. Dou um basta na tristeza e mesmo que ela queira ficar, farei questão de esquecê-la. Tenho o mundo pela frente e estou cheia de me agarrar a um passado que não me faz bem. Deixo as mágoas no chão, o choro no lençol e coloco a esperança no bolso. Saio sem rumo, de cabeça erguida e coração aberto. Não faço promessas, porque as juras são inúteis quando se tem um coração mole.

Hoje dou um basta nisso tudo. Seguro minha dor, as pontadas que meu coração sente. Te boto de canto e, depois de tanto escancarar o peito machucado, me fecho pra tudo que aconteceu. Troco de roupa, me visto com felicidade dos novos dias e com a bolsa repleta de vontades, me deixo ir mundo a fora à espera do bom que há de vir.

E quando olhar as fotos antigas, espero não me encontrar. Quero me procurar nas aventuras caladas ou nos tédios eufóricos e me achar totalmente nova. Tudo isso porque me cansei de remoer um passado de verdades e mentiras, onde não consigo destingui-las. E com essa vontade eu vou em frente, sabendo que consigo ser bem melhor sozinha.
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"E não adianta nem me procurar em outros timbres, outros risos. Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu."

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Com endereço certo

E eu tô aqui, mais uma vez, escrevendo coias que já foram ditas muitas vezes, gritadas muitas vezes, choradas inúmeras vezes. Escrevo sabendo que você vai ler, que você vai entrar nesse blog para saber o que e sobre quem ando pesando. Sim, esse texto é PARA e SOBRE você. Eu já desisti de esquecer. Esqucer as coisas boas e, principalmente, as ruins que nós passamos. Já percebi que você foi peça que me fez crescer, foi momento único, foi vida que vivi, e que agora se faz morada em outro lugar, na ferida que tento cicatrizar no coração. Penso muito nos nossos dias. Nossa alegria boba de se beijar na rua ou de dar a lua um pro outro (lua que hoje olho e penso em nós). Na nossa dor aguda de quando as palavras ofendiam alguém que só queria o bem. Na nossa felicidade de quando te acordava com um beijo e você não me reconhecia com aqueles olhos de um sono bom. Não tem como apagar tudo isso. Não tem.
Hoje sei que não sofro por saber que tudo acabou do jeito que acabou e as consequências disso tudo. Sofro sim, mas por lembrar do tempo bom que vivi com você e de tudo que fazia de apenas uma hora um momento inesquecível. Nossas fotos, nossos beijos, nossas brincadeiras.
Tinha dezesseis anos, mas podia sentir a alegria dos amores infantis, quando escrever atrás de uma foto uma dedicatória era a coisa mais romântica que se podia fazer. Sei que nesse ponto do texto a nostalgia já deve ter tomado conta do teu coração e se, como eu, as lágrimas estiverem tomado conta do seu rosto, você vai entender o sentimento que deposito nessas palavras.
Você me conhece bem. Sabe o quanto (infelizmente) rancorosa eu sou. Às vezes eu penso que você não sofre, que você nem deve lembrar de nós. Mas o meu racional diz que não é bem assim. Eu paro para analisar e imagino que você deve lembrar. E mais, uma hora ou outra deve sentir por tudo que aconteceu. Acho que não preciso dizer mais uma vez que você perdeu a mulher que mais te amou no mundo. Não é pra me exaltar que digo isso, porque agora eu sei o quanto você tem noção disso.
Tenho medo do que sinto. Medo do rancor que guardo, pois não consigo ver jeito dele sair do coração. Quero que entenda que não sinto sua falta, não te quero aqui comigo.
Quero que tenha noção de que o que vivemos me faz uma falta terrível e que água ainda fica nos meus olhos quando lembro daquele 12 de maio de 2007. Daqui a 10 dias fazem 11 meses que terminamos. Eu não sinto todo esse tempo. Sinto toda essa distância.
E agora dou um ponto final nesse texto. Ponto que eu queria que fosse o de toda essa nostalgia.
Ps: Eu sei que você vai ler esse texto. Eu sinto. Só peço que se cuide. Eu ainda tô orando por você.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Exagerada renitência

Não sei porque lembrei de nós. Lembrei de 2005, lembrei do nosso cinema de hoje que não saiu. Esse nosso sentimento que nem sei se tem nome. Sei que é renitente, como você diz. Eu gosto de você, gosto de pensar em você, do seu jeito. Gosto de lembrar dos dias nas salas do JLN, da roda gigante e das salas de cinema. Se eu estou porque me procura, se você está porque te aceito, porque não aceitamos de vez? Não entendo essa dificuldade que a gente faz nessas pequenas coisas. Eu já entendi que não é fácil, se é pra isso que dificultamos tanto. E se é pra dizer, eu digo que não sei o que sinto em relação a você, mas sei que nesses 4 anos você me traz uma paz incrível e me sinto livre do seu lado. Desde a pergunta "Você vai ficar comigo ou não?" até a frase "Me dá um beijo?", eu sei, e todos sabem, que essa história ainda está longe de terminar. E como muitos dizem: sua vida dá voltas e voltas, mas sempre termina no mesmo lugar. E, se você perceber, esse lugar é sempre em você.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Só mais um dia chuvoso em que penso em ti.

É. Eu tô aqui mais uma vez, escrevendo sobre o saber que nada vai acontecer. Você já disse com todas as letras e eu jurei já ter entendido. Tudo bem, eu entendi. Mas algo não flui. Algo em mim me faz romantizar a vida, o estar com você, suas palavras e seu sorriso. Hoje me sinto mais carente que o normal e uma coisa que antes não acontecia, agora anda me atormentando: a saudade de você. Antes eu vinha pra casa normalmente, e se te ia te ver no outro dia: pô, beleza! mas se não: tá então. Agora não. Quando você sai do Portal pra ir pra aula e me dá aquele tchau, meu coração chega a apertar. E eu fico me achando uma criança de 12 anos que sente saudades de alguma coisa que não é sua. Sim, você, mais do que nunca, não é meu. Conversamos e você me disse com todas as palavras: "Eu não quero nada sério" e eu entendi. Entendi seus motivos, seus problemas e tudo mais. Nem fiquei pensando muito nisso pra não cair na tentação de ter alguma dúvida e querer ir te perguntar. Depois dessa conversa, eu cai na real. Saquei que não vai dar em nada e jurei que não ia mais te perturbar com as minhas coisas de adolescência mal-resolvida. Mas na semana seguinte minha vontade é de te abraçar e te dizer que não vai ser igual ao que já foi, que você me faz bem e que eu aguento se você disser que não mais uma vez. Sim, eu tô apaixonada. E se sei lá por que cargas d'água você resolver ler esse texto, espero que não fique chateado comigo por talvez não demonstrar isso. Não faria diferença pra você.
Tô precisando de um colo, de assistir um filme junto, de ir junto ao cinema. Sim, eu me apaixonei por você, mesmo sabendo que não ia dar em nada, que me aventurei demais por pouco. Mas eu tentei. E não me arrependo. Ah, se você soubesse como é feliz o momento em que te vejo se aproximando do Portal e finjo não ter visto, só pra você vim e me dá um abraço de surpresa. Finjo tanto pra não te assustar. Me recuo tanto com medo de você ser frio comigo. Tudo, tudo que eu não sofra por gostar de alguém sozinha.
Namorei tanto tempo. Amei de verdade. Depois jurei não acreditar nessa coisa de gostar. Mas aí você chegou com seus olhos lindos e seu sorriso leve, esse humor infantil e esse jeito de sonhar que me encanta. Ah, se tu soubesses como sou tão carinhoso e muito, muito que te quero...